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holy moly

Endemol – Tv, Internet… ou ambos?

Creio que terá escapado a uma grande maioria de curiosos destas coisas da web à mistura com a Tv e a Rádio, mas alguns conhecidos repararam nela pelos seus Google Readers, na altura veiculada pelo Briefing, e também a mim me chamou a atenção — a mega-produtora ENDEMOL havia comprado 50% de…………… um site.

Sim, leram bem. Um site.

Basta passar o crivo pelo Guardian para ver como as notícias sopram ventos de mudança, ou melhor dizendo, de adaptação, ou de experimentação (dirão os cépticos).

Em Agosto de 2010, esta era a compra reportada no Guardian:

Endemol buys Authentic Entertainment

Já em Março deste ano de 2011, foi a vez desta:

Endemol takes 50% stake in Holy Moly

Ok, ok, não é verdadeiramente a ‘cacha’ que me tornará famoso nem tão pouco inundará o blogue de comentários e me tornará requisitado para comentador televisivo (o contrato também o impede, por isso…), mas este pequeno recorte de imprensa deixou-me a reflectir no assunto por algum tempo. De facto, para uma mega-produtora que ganha a vida a criar formatos de televisão e a vendê-los e produzí-los no maior número de países, e numa era de cada vez maior expansão da web, como podemos encarar esta compra?

  • A) trata-se de adquirir um meio de comunicação social com audiência garantida para promover os seus programas e vedetas no UK?
  • B) trata-se verdadeiramente da Endemol a tentar expandir o seu negócio na área do entretenimento, na web, na produção de conteúdos, sob a forma de site. Só isso.
  • C) ambos.

Lendo o artigo, não deixa igualmente de ser curiosa a observação do seu fundador, Jamie East, a respeito da venda de 50% do site:
“Celebrity will still be the focal point of the site, but with social networks such as Twitter I don’t think there is going to be a life for a website that just deals in celebrity gossip for much longer.”

Humm…
Concordam?

Estarão de facto as publicações digitais dedicadas ao gossip condenadas a fracassar, ou sucessos como o TMZ provam o oposto (afinal de contas, alguém tem de conseguir linkar para algures)? E será o caminho das grandes produtoras imiscuir-se na produção web, ou deverão centrar-se na produção televisiva e trabalhar diretamente ligadas a agências especializadas em web?

Barack Obama, Michelle Obama

Discurso de Barack Obama no jantar da Casa Branca

Este é um daqueles posts curtinhos, mas que depois de ver o vídeo tinha mesmo de partilhar com os seguidores deste cantinho do ciberespaço (ena, há quanto tempo não usava este termo!…).

Enquanto a maioria deve estar a terminar de ver os reality’s na TV, aqui o vídeo abaixo deixou-me a ponto de ir às lágrimas. Nem sei bem o que achar, pelo hábito da nossa cultura tradicionalista e conservadora para a maioria destas coisas da política, o que achar deste vídeo e sobretudo do discurso de Obama. Mas creio que concluo com um “fenomenal”. É um pouco estranho estar a ver Barack Obama como se fosse Billy Cristal no arranque da cerimónia dos Oscares. O texto que lhe foi escrito está carregado de piadas sarcásticas e acutilantes como videiras cheias de uvas em setembro. E as peças vídeo que pontuam o discurso são a melhor concorrência ao Daily Show que vi nos últimos tempos! Wow.

Procurem o minuto 9′ onde finalmente Donald Trump recebe o troco, espreitem antes disso a piada a Matt Damon e deliciem-se.

Pode parecer um discurso de um Presidente norte-americano, mas é puro entretenimento. E cabe-me a mim dizer, tendo visto os últimos dos nossos políticos, que se pelo menos algum dele fosse tão bom entertainer assim, já valeria a pena o voto, que isto um tipo da rádio e televisão sempre gosta de apreciar um bom entertainer e o mundo e o país têm bem falta deles.

Aqui fica, pois, o vídeo:

marcas

Internet – Gestão de Conteúdos, Gestão de Marcas ou Criação de Marcas?

poder das marcas na web

A provocação tem uma razão: convidar-vos a um debate que tão cedo nunca cessará, e que se rodeia de milhentos factores que nunca farão o consenso vir ao de cima (é impossível, dada a panóplia de casos e circunstâncias) mas que no aceso da conversa nos façam por vezes clarear ideias, conceitos e estratégias.

Sobretudo na área dos Media, os conteúdos são rei, rainha, princesa, príncipe, madrasta, bruxa, bobo e o que mais quiserem. São tudo. Ou quase tudo - porque as marcas também representam um papel fulcral. Tal como nos bens de consumo, numa prateleira de supermercado a embalagem conta, a posição em altura do produto conta, o preço conta, e claro, a marca conta. Também não é diferente com os conteúdos e também por isso na Web as marcas têm um poder incomensurável. Dezenas de sítios e blogues oferecem boa informação, entretenimento, formação, opinião, etc. Mas as marcas produzem um factor diferenciador imbatível junto de um público que cada vez tem mais oferta. E quando falo de marcas, falo de todas. Desde a marca do grupo, à marca do canal/publicação/estação, ou até mesmo às pessoas que dão voz, rosto, assinatura – essas não raras vezes são mesmo as mais poderosas marcas.

Mas convém não esquecermos que a maioria dos produtores de conteúdos neste momento presente na Web em Portugal já o era antes da própria Web. E, para o que aqui nos interessa, o mesmo acontece às marcas.

As marcas que foram criadas para a imprensa, rádio ou televisão, foram-no (bem como os seus conteúdos) de forma pensada, reflectida, estudada, estrategicamente afinados os posicionamentos e refinados ao longo de anos, umas mais que outras. E foram quase sempre marcas que nasceram para essa plataforma. E tiveram sempre por base marcas vizinhas em segmentos de mercado de conteúdos concorrentes.

Mas na grande maioria dos casos, o que ainda hoje temos é a transposição das marcas dos restantes meios para a Web. Muitas das vezes, do mesmo grupo, canibalizando-se até. Todos temos feito o mesmo – experimentado, testado, aproveitado o capital de credibilidade, relevância e a atracção automática de uma audiência fiel como garante de um mínimo de sustentabilidade. Mas fará isto ainda sentido, lato senso? Porque simplesmente os conteúdos já estão feitos e disponíveis, deverão as marcas estar na Web, todas elas, simplesmente porque sim, porque é possível, porque há ‘espaço’? Não deveriam as empresas também dedicar a mesma preocupação em criar marcas na Web como fizeram para criar uma marca para a imprensa, a rádio ou a tv? Ou pelo menos equacioná-lo mais vezes? Porque todas as marcas se atiram para a Web misturando-se muitas vezes caoticamente no seio do mesmo grupo? Será apenas para não frustrar os subscritores a irem ao Google e descobrirem que a sua marca, afinal,  não tem site e não pode assim encontrar as peças que lê/ouve/vê no meio original?

Grupos de comunicação social detêm por vezes dezenas de marcas. E esta riqueza é também um desafio. Eu diria aliás: o desafio. E também por isto a Web é fascinante. Pelo menos para mim, esta é de facto uma das reflexões que tem levado a um maior aprofundamento e pesquisa nos últimos anos.


É interessante observar como, por toda a Web, vemos variadíssimos casos de sites de sucesso e com marcas nascidas aí. Mas é bem mais escasso ver criação de projectos e marcas exclusivamente pensadas para a Web vindas de grupos de comunicação social. Talvez, no fundo, tudo se resuma ao facto de na Web – em Portugal – ainda não ser possível obter uma rentabilidade interessante com um projecto dedicado, fruto do investimento em recursos humanos e técnicos . Ou talvez o mercado publicitário na web ainda não esteja preparado e amadurecido.

Falava-se no início que o “jornal i” seria um projecto exclusivamente digital, mas depois lá veio o papel. A Sic e a Tvi posicionaram a sua aposta de informação na Web usando as marcas dos respectivos canais de cabo: Sic Notícias e Tvi24, com isto isto acarretando mais desvantagens que vantagens (opinião pessoal minha). E outros casos há em que sai mais reforçada a ideia de que na comunicação social a Web é mesmo mais uma extensão de marcas já existentes e a capitalização das mesmas, do que berço de novas. Olhando desde logo para o ranking Netscope, se excluirmos os  naturais portais, encontramos no top de sítios o  bem sucedido “Mais Futebol” e só depois na 28ª posição o Diário Digital. E depois disso temos de descer bem mais na tabela. Fala-se num projeto que nascerá em breve pela mão de Emídio Rangel, na rádio, imprensa, web e quem sabe TV; será interessante acompanhar aí, avançando o projeto, que estratégia neste campo das marcas foi definida e será implementada.

E com isto, vai-se escapando o tempo para abordar a questão dos conteúdos. Tão ou mais importantes para este debate. Mas deixo a questão de fundo,  para escutar as vossas opiniões, dúvidas, ideias e críticas.
A caixa de comentário abaixo é toda vossa!
;)

Darth Vader invade o superbowl e mata a tradição

Para quem não viu, este é o vídeo publicitário que marcou a edição do clássico top de anúncios que anualmente se desunham para disputar a liderança no intervalo da mítica final de Futebol Americano. Chama-se “The Force”, é da Volkswagen e pretende apenas anunciar o novíssimo Passat em terras do Tio Sam, e para isso foi buscar um juvenil Darth Vader. Ora vejam:

A razão porque trago aqui o vídeo e escrevo este pequeno post, e porque até já levei o mesmo ao programa diário na Antena3 (Buzz), é que este pequeno Darth Vader conseguiu deitar ao chão, finalmente, a bacoca verdade absoluta de que alguma coisa só pode ir para a web depois de estrear em Televisão.

Ganhou a Volkswagen, e ganharam muitas agências que, depois deste caso, poderão já ter mais margem de manobra na definição e proposta estratégica aos seus clientes. Invertendo a lógica da ‘surpresa’, há milénios defendida por muitos doutos entendidos como o SantoGraal a não ser quebrado, a Volkswagen levou uma semana antes o anúncio para a web e conseguiu o que nenhum outro anúncio conseguiu, e que também passou no mesmo break.

Os valores de notoriedade estão muito acima do esperado. E sobretudo conseguiram que lá em casa, ao arranque da trilha sonora, as pessoas na sala parassem porque afinal alguém reconhecia aquela introdução e pedia a toda a família “para pararem e verem aquele anúncio engraçado que já o amigo da escola ou colega de trabalho havia mostrado no mail ou no facebook“. O contágio foi mil vezes maior. E sem esquecer o factor diferenciação, face a uma concorrência quem em peso decidiu seguir a norma.

Até as histórias em torno do anúncio se expandiram, com o próprio miúdo que dá vida ao little-tini-tiny Darth Vader (Max, de nome) a ir à Tv (abaixo).

Claro que para o ano isto já valerá muito menos (estamos todos a ver o seguidismo…), e claro quem nem sempre esta é uma boa estratégia. Mas fico satisfeito quando vejo cair alguns estigmas ou verdades absolutas e que vêm mostrar a mais gente que devemos equacionar sempre o que fazemos e o modo como o fazemos. Mesmo que esteja certo. E mesmo que já esteja a dar bons resultados. Porque fazer diferente e melhor é sempre possível.

A última vez em que vi isto acontecer foi no EuroFestival da Canção, com a força da equipa do comité europeu organizador a conseguir quebrar todas as regras que a maioria dos países ainda hoje seguem: revelam o palco semanas antes, mostram os vídeos com os ensaios das canções, abrem as portas a tudo e todos. E os números estão cá para mostrar como isso só foi benéfico. Na tv e na web.

Se a Volkswagen vendeu mais carros com o anúncio, a marca o saberá. Mas se a mim alguém vier dizer mais uma vez que “a receita está provada e funciona” e que “em equipa vencedora não se mexe”, prometo responder com um uísque e um “a tradição já não é o que era”, logo seguido de apelo ao jovem Max para que venha com a sua vestimenta de Darth Vader e os poderes de afastar tais mentes brilhantes do nosso caminho.

Aos que partilham da visão de nunca acreditar cegamente que tudo está feito: may the force be with you.

;)

 

 

NOTA de 3 JULHO 2011 – GREENPEACE SOCORRE-SE DESTE ANÚNCIO PARA CAMPANHA CONTRA A VW »

 

 

 

googletv

Google TV – isto é internet na televisão, ou é mesmo só aplicações, ou é outra coisa qualquer?

Primeiro de tudo, vejamos para os que ainda não viram ou não sabem, o que é a Google TV:

Verdadeiramente, a GoogleTV existe, mas ainda não “é”. Por um lado e até pelo nome, tem o condão de não deixar ninguém indiferente. Mas por outro parece que todos acham tudo da GoogleTV, mas verdadeiramente e falando com tempo, percebemos que há pelo menos umas 5 ideias diferentes do que cada um “acha” que é a Google TV…

Por enquanto apenas disponível nos Estados Unidos, é ainda um gigantesco “work in progress” que, no entanto, tive a felicidade de poder espreitar há poucos meses na Suiça com responsáveis do projeto. O que é fascinante e o que me traz aqui nem é, aliás, tanto a Google TV. Mas o que se tem dito da Google TV. Eu também achava que sabia muito da Google TV. Li as reviews detalhadíssimas da Mashable e da Engadget e de mais uns quantos blogues geeks e, achava eu, a caminho da apresentação e workshop, que estava por dentro do assunto…

Mas afinal não há um assunto. Há milhares! A sério. Não estou a brincar. Estou a falar mesmo a sério. A Google está mesmo a refletir profundamente sobre o que é isto de ter internet na Tv. E portanto bate certo a crítica da Engadget quando diz que esperava um produto acabado e afinal recebeu um projeto. Pois temos pena.  A Google TV não é um produto acabado, mas um começo. E ninguém sabe muito bem onde ele poderá ir desembocar, apenas que será em grande. Ler Mais…

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Academia RTP

Desculpem-me a ousadia de puxar por aqui um pouco a brasa à minha sardinha, mas creio que se justifica.

Arrancou há pouco mais de 1 semana a Academia RTP, um projeto de formação e incentivo ao empreendedorismo que visa apoiar jovens dos 18 aos 30 anos nas mais variadíssimas áreas da comunicação social e media. Para isso basta uma visita ao sítio http://academia.rtp.pt e com uma ideia de um projeto, individualmente ou em grupo, sumbmetê-la e aguardar pela resposta.

Estamos a falar em cerca de 100 vagas para estágios profissionais (mas podem vir a ser mais) que durante 9 meses contactarão com todas as áreas da RTP (rádio, televisão e web) e onde, para além da formação intensiva e contacto com a realidade vivida diariamente num grupo de media, poderão ainda desenvolver e criar um piloto do seu projeto.

Prontos a arriscar?

;)

julia__pinheiro

Júlia Pinheiro vs. Conan O’Brien vs. Fátima Lopes

Parecerá à primeira vista estranho ou despropositado ou só mesmo uma mera provocação ter estes 3 nomes da televisão juntos no mesmo título. Mas não é. Nada disso.

Em comum, como é fácil de perceber, Júlia Pinheiro, Conan O’Brien e Fátima Lopes são apresentadores de programas de televisão (entre outras coisas, obviamente, e por ordens de grandeza que a cada um importará de formas diferentes, que isto sejamos livres de escolher como bem queremos).

O que aqui interessa e talvez seja um excelente sub-título é:
“A que não foi  -  O que conseguiu  -   A que não se sabe”
Curiosos? Passo a explicar.

Em qualquer jogo de equipas (e a TV é um deles) as trocas de elementos humanos de uma equipa para outra muda completamente as regras até aí estabelecidas no tabuleiro. No caso da TV em Portugal, a recente troca de Fátima Lopes da Sic para a TVi e da Júlia Pinheiro no movimento inverso muito deram que falar. Mas muito mais ainda foi o episódio de Conan O’Brien, trocando a NBC pela TBS.

Mas qual a grande diferença neste trio?

Ler Mais…

Programas TV: OWN, Oprah Winfrey Network

oprah winfrey own channel

Para os mais distraídos, informa-se por aqui que Oprah Winfrey – essa mesmo, a senhora que várias vezes foi já personalidade do ano ou votada como mulher mais influente da América ou que alguns preferem recordar como “a que ofereceu umas dezenas de automóveis no final de um dos seus programas” – lançou neste 1 de Janeiro de 2011 o seu canal de televisão: OWN – Oprah Windrey Network.

Poderá a alguns soar como presunçoso, mas é muito mais sonhador (sem esquecer que é também e objectivamente empreendedor e um negócio de milhões), sobretudo depois de conhecer como a génese do próprio canal nasceu: vai para 20 anos, num quarto de hotel, entre Oprah e o marido.

O que não deixa de ser interessante ter observado no último ano, à semelhança do novo projecto de Conan O’Brien (que espero vir a abordar brevemente por aqui), foi a forma evolutiva e partilhada na Web (e no caso de Oprah muito também na Tv, naturalmente), em que Oprah e todo o staff foi revelando algumas ideias mas, sobretudo, a veia do canal. E não era para menos. Afinal, e resultando a luz verde da ligação com a Discovery Communications, pode-se ler na missão da parceria para o canal:

A multi-platform joint venture between Oprah Winfrey and Discovery Communications designed to entertain, inform and inspire people to live their best lives.

O que sempre foi um sucesso nos projectos de Oprah, e certamente este novo colocará também à prova, é a forma como leva avante a sua ideia bem definida do que quer – sendo que o que quer não muda.

A busca de quais seriam os programas que preencheriam a grelha do OWN foi demorada e misturou um pouco de tudo no que toca a formatos televisivos de sucesso do momento, apontados ao target 18-45 e sobretudo feminino: programas de talentos, talk-shows, entrevistas e também programas DIY (do-it-yourself). Mas na base de todos eles está uma linha editorial claramente distintiva e bem definida por Oprah ao longo dos anos, onde o que importa é esse poderoso triângulo de informação útil que produza emoção e inspiração.

oprah channel OWN

Parece curto, mas a meu ver é o verdadeiramente necessário para ter um canal consistente de cabo, isso e o magote de gente conhecida pelo mundo inteiro que Oprah conseguiu e consegue mobilizar. Desde os ilustríssimos convidados para o novo programa “Master Class” (Jay-Z, Condoleeza Rice, …) até um programa onde seguiremos o dia a dia da duquesa de York, Sarah Ferguson. Mas há mais. Contudo, convém não esquecer que a época é de crise e estamos no cabo, um universo extremamente competitivo em todo o lado e muito mais ainda nos EUA.

Não deixa, também, de ser curioso como Oprah aboliu os formatos existentes e pré-testados. Tudo aqui é original (ok, num ponto de vista alargado…), ou pelo menos não recorreu a produtoras e formatos em exibição, nem sequer a nomes da concorrência. No fundo, Oprah foi criando o seu OWN e toda a grelha de programas durante os últimos anos. E a prová-lo está que metade da lista de figuras e programas está preenchida com os que durante anos e anos têm crescido sob a sua asa e no seu “The Oprah Winfrey Show”: Dr. Phil, Suze Orman, Dr. Oz, Gayle King ou Peter Walsh, para referir apenas os mais sonantes.

Convém também referir como, à semelhança de qualquer projecto não fechado e evolutivo, este soube crescer de forma a envolver e escutar os seguidores e inovadores e o séquito de fãs de Oprah. Houve sempre um canal de comunicação aberto no site de Oprah para recolha de feedback, e desde o dia em que o OWN está na Web que desde logo no menu principal ali encontramos sonantemente um “What Do You Think?”. Isso mesmo, no menu principal. Nada de botões de rodapé ou banners.

Se dúvidas ainda houvesse, Oprah exibiu excertos dos programas que aí vinham não apenas como promoção e teasing, mas também como modo de aferição e refinamento para os mesmos. Aliás, ainda hoje, nos programas que são lançados, fica durante as primeiras semanas um espaço de comentário aberto e feedback ao programa no site.

Será, portanto, interessante acompanhar e analisar os vários passos que a Discovery e a própria Oprah darão este ano, não apenas no que toca aos conteúdos, como à comunicação e promoção, bem como igualmente à expansão da sua distribuição multiplataforma, onde mesmo com graves falhas no facebook já caminha para os 400.000 seguidores.

Tudo para verem também aqui, no site oficial (que curiosamente, ou não, está dentro do site da própria Oprah): http://www.oprah.com/own

opiniões e ideias aceitam-se valiosamente – a caixa de comentários é vossa!
;)

Transmedia

transmedia

Quando em 2007 tive o privilégio de conhecer em primeira mão o projecto “The Truth About Marika”, estava longe de imaginar que uns anos mais tarde estaria toda a indústria televisiva e cinematográfica, e até de bens de consumo, a lidar com o termo que fora baptizado em 2003 no MIT.

Resumidamente, por Transmedia podemos falar de uma história que é contada utilizando narrativas paralelas que no seu todo compõem uma só. Usando como exemplo a conhecida saga de “Star Wars”, o processo de Transmedia conduz e define desde o rumo das histórias e personagens dos filmes,  até às das bandas-desenhadas, jogos de consolas, merchandising, etc., etc.

A Verdade Sobre Marika

Graças ao esforço da responsável pelos projectos de TV Interactiva na EBU (rede de operadores públicos europeus de televisão e rádio), Nicoletta Iacobacci, eu e uns quantos sortudos que até aí estavam fartos de fazer Tv, Rádio e Web de forma desintegrada pudemos, então, tomar contacto com alguns dos principais projectos nesta área, figuras de proa e até ir aprendendo directamente com os próprios.

A chance mais recente foi em 2010 com Jeff Gomez, que também em 2010 explicou como este processo de Transmedia havia já dado origem na Producer’s Guild of America à categoria técnica de nome próprio e como, para a própria Coca-Cola, havia sido a sua empresa, a Starlight, a dar eco ao sucesso da campanha “Hapiness Factory”, que havia nascido como qualquer outra, mas que entretanto fora desenvolvida para 5 anos toda a estratégia em torno do universo entretanto criado.

Jeff Gomez – Case-study Coca-Cola

Por cá, em 2009, tudo isto dava os primeiros frutos quando juntamente com a RTP2 pude desenvolver o projecto do “5 Para a Meia-Noite“. E desde então, de partida para uma 4.ª série, custa a crer como o tempo correu.
A verdade é que projectos pensados de forma multiplataforma, coerentemente e complementarmente, fogem em muito às regras estabelecidas de planeamento regulares. Obrigam a envolvência muito mais atenta de pessoas que tradicionalmente se encontram em fases distintas dos processos de produção (e por vezes nunca se chegam a conhecer, até) e obrigam ainda a dose reforçada de monitorização, realinhamento e acerto.

Nada é um produto verdadeiramente fechado e acabado. E os guiões servem apenas como a principal base. Nesse aspecto, o boom das redes sociais veio ajudar um pouco a que mais gente percebesse e se aliciasse pelo fim da ‘campanha’ previamente concebida, elaborada e fechada, e se dedicasse a trabalhar na relação (a curto, médio ou longo-prazo). Até mais do que isso, veio ajudar a quem sabia que os modelos estavam perto de esgotar-se e era preciso “fazer mais”, ou “fazer melhor e diferente”.

Como texto de arranque à minha participação neste cantinho da web, respondendo ao simpático convite do fundador e até vendo ainda não constar nada de Transmedia no arquivo, espero que o tema vos desperte, mais do que a curiosidade, a dedicação que a mim me tem feito perder umas quantas horas de sono. Apelo, portanto, a uns minutos mais do vosso tempo para a excepcional conferência TEDx, dedicada por inteiro ao tema e que tem todas as intervenções disponíveis aqui »

Transmedia na Wikipédia

17 de Novembro: Dia de “desamigar”

National Unfriend DayJimmy Kimmel, o popular apresentador de televisão norte-americano, declarou o dia 17 de Novembro como o Dia de “Desamigar”. O objectivo é retirar do nosso “circulo social digital” as pessoas que não conhecemos e que, ao longo dos tempos, fomos aceitando como “amigos”.

O apresentador do “late night” com o seu nome na ABC defende que as redes sociais, sobretudo o Facebook, estão a adulterar o verdadeiro significado da palavra “amizade”.

Veja os hilariantes, mas contundentes, argumentos de Kimmel na emissão do passado dia 3 com a ajuda de William Shatner.


Há Vida na Internet – Google, Facebook

Foi lançada ontem a curta metragem A Life on Facebook, realizada por Maxime Luère, é a história de um homem contada através da interface do Facebook.

A ideia não é nova, faz agora um ano que o Google lançou no Youtube Search Stories, usando também a sua interface. Na página do Youtube criada para sustentar a campanha, os utilizadores eram convidados a criar e contar as suas histórias.

YIL-Dez99

Regresso ao Futuro

Talvez poucos tenham tido contacto com uma das revistas (e site), que foi uma referência na cultura e informação sobre o meio Internet entre 1995 e 2002. Refiro-me à Yahoo! Internet Life (YIL), uma revista mensal que resultou da parceria entre a editora Ziff-Davis e o portal Yahoo! (naquela altura o gigante Softbank era um importante accionista comum às duas empresas).

Tive oportunidade de adquirir alguns exemplares, nos anos de boom e crash das dot.com. Durante uma pequena arrumação de fim de semana, voltei a folhear a edição especial de Dezembro de 1999 (com 284 páginas), que teve como tema de capa: 2000 and Beyond – What´s next for the Web?

Esta edição é histórica e tem um trabalho editorial brilhante. A YIL, fez o “Regresso ao futuro” avançando uma década e antecipando os dias de hoje, com a ajuda de: Vinton Cerf e Tim Berners-Lee (os criadores da Internet), oito autores de ficção cientifica e jornalistas e consultores de Politica, Direito, Medicina, Economia, Marketing, Educação, Media, Entretenimento, LifeStyle, Sexo e Tecnologias de Informação.

A clarividência sobre as alterações sociais e económicas que entretanto já vivemos é, de facto, brilhante. Algumas, ainda não aconteceram, mas, hoje é mais fácil perceber que é só uma questão de tempo…
Destaco, aqui algumas citações e excertos:

Vinton Cerf – o criador da “rede”

Estou convencido que todos terão acesso à Internet. E cada pessoa terá talvez cerca de 100 dispositivos que precisarão de estar ligados à Net.

Não há razão, para dispositivos que já hoje utilizamos – pagers, telemóveis e até mesmo os Walkmans da Sony – não estejam já ligados à Internet.


Tim Berners-Lee – usou a “rede” para a transformar num espaço de partilha e capaz de ser navegável (World Wide Web) e distribuidora de conteúdos multimédia.


“Quando começámos, estávamos a lidar com utilizadores de PC. Mas a convergência com TV, os telemóveis e computadores já está a acontecer.”

“Uma das coisas revolucionárias será o aparecimento de micropagamentos. Vamos poder comprar em qualquer moeda, e terei uma pequena bolsa cheia de microdinheiro, que poderemos utilizar para navegar em websites, que irão cobrar uma pequena fracção de cêntimo por página. É um caminho para proteger e compensar os autores/editores.[...] A Web traz-nos novos temas. Será que temos direito a ter uma conversa privada? [...]
Como vamos proteger a conversas entre pessoas em diferentes locais do mundo?(…)

Os direitos porque lutámos e que conseguimos garantir no velho mundo, devem ser ferozmente protegidos neste novo mundo. É a World Wide Web que eu sempre imaginei.

Connie Willis – Autora de Ficção Científica

O dilema da Era da Informação não é o fim da privacidade individual, mas sim os desequilíbrios selvagens na privacidade

Bruce Sterling - Autor de Ficção Científica

A Internet vai transformar-se em mobília, tal como a água e o telefone.

Jon Katz – Jornalista e autor

Alguns consultores políticos acreditam que a primeira demonstração de poder vai surgir espontaneamente.

E como será esta década?
Deixe os seus comentários e visões sobre o futuro.

Nota: Artigo publicado no Meios & Publicidade de 15/Outubro/2010 e Diário de Notícias de 9 de Setembro de 20111

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