
Para os mais distraídos, informa-se por aqui que Oprah Winfrey – essa mesmo, a senhora que várias vezes foi já personalidade do ano ou votada como mulher mais influente da América ou que alguns preferem recordar como “a que ofereceu umas dezenas de automóveis no final de um dos seus programas” – lançou neste 1 de Janeiro de 2011 o seu canal de televisão: OWN – Oprah Windrey Network.
Poderá a alguns soar como presunçoso, mas é muito mais sonhador (sem esquecer que é também e objectivamente empreendedor e um negócio de milhões), sobretudo depois de conhecer como a génese do próprio canal nasceu: vai para 20 anos, num quarto de hotel, entre Oprah e o marido.
O que não deixa de ser interessante ter observado no último ano, à semelhança do novo projecto de Conan O’Brien (que espero vir a abordar brevemente por aqui), foi a forma evolutiva e partilhada na Web (e no caso de Oprah muito também na Tv, naturalmente), em que Oprah e todo o staff foi revelando algumas ideias mas, sobretudo, a veia do canal. E não era para menos. Afinal, e resultando a luz verde da ligação com a Discovery Communications, pode-se ler na missão da parceria para o canal:
A multi-platform joint venture between Oprah Winfrey and Discovery Communications designed to entertain, inform and inspire people to live their best lives.
O que sempre foi um sucesso nos projectos de Oprah, e certamente este novo colocará também à prova, é a forma como leva avante a sua ideia bem definida do que quer – sendo que o que quer não muda.
A busca de quais seriam os programas que preencheriam a grelha do OWN foi demorada e misturou um pouco de tudo no que toca a formatos televisivos de sucesso do momento, apontados ao target 18-45 e sobretudo feminino: programas de talentos, talk-shows, entrevistas e também programas DIY (do-it-yourself). Mas na base de todos eles está uma linha editorial claramente distintiva e bem definida por Oprah ao longo dos anos, onde o que importa é esse poderoso triângulo de informação útil que produza emoção e inspiração.

Parece curto, mas a meu ver é o verdadeiramente necessário para ter um canal consistente de cabo, isso e o magote de gente conhecida pelo mundo inteiro que Oprah conseguiu e consegue mobilizar. Desde os ilustríssimos convidados para o novo programa “Master Class” (Jay-Z, Condoleeza Rice, …) até um programa onde seguiremos o dia a dia da duquesa de York, Sarah Ferguson. Mas há mais. Contudo, convém não esquecer que a época é de crise e estamos no cabo, um universo extremamente competitivo em todo o lado e muito mais ainda nos EUA.
Não deixa, também, de ser curioso como Oprah aboliu os formatos existentes e pré-testados. Tudo aqui é original (ok, num ponto de vista alargado…), ou pelo menos não recorreu a produtoras e formatos em exibição, nem sequer a nomes da concorrência. No fundo, Oprah foi criando o seu OWN e toda a grelha de programas durante os últimos anos. E a prová-lo está que metade da lista de figuras e programas está preenchida com os que durante anos e anos têm crescido sob a sua asa e no seu “The Oprah Winfrey Show”: Dr. Phil, Suze Orman, Dr. Oz, Gayle King ou Peter Walsh, para referir apenas os mais sonantes.
Convém também referir como, à semelhança de qualquer projecto não fechado e evolutivo, este soube crescer de forma a envolver e escutar os seguidores e inovadores e o séquito de fãs de Oprah. Houve sempre um canal de comunicação aberto no site de Oprah para recolha de feedback, e desde o dia em que o OWN está na Web que desde logo no menu principal ali encontramos sonantemente um “What Do You Think?”. Isso mesmo, no menu principal. Nada de botões de rodapé ou banners.
Se dúvidas ainda houvesse, Oprah exibiu excertos dos programas que aí vinham não apenas como promoção e teasing, mas também como modo de aferição e refinamento para os mesmos. Aliás, ainda hoje, nos programas que são lançados, fica durante as primeiras semanas um espaço de comentário aberto e feedback ao programa no site.
Será, portanto, interessante acompanhar e analisar os vários passos que a Discovery e a própria Oprah darão este ano, não apenas no que toca aos conteúdos, como à comunicação e promoção, bem como igualmente à expansão da sua distribuição multiplataforma, onde mesmo com graves falhas no facebook já caminha para os 400.000 seguidores.
Tudo para verem também aqui, no site oficial (que curiosamente, ou não, está dentro do site da própria Oprah): http://www.oprah.com/own
opiniões e ideias aceitam-se valiosamente – a caixa de comentários é vossa!