
Quando em 2007 tive o privilégio de conhecer em primeira mão o projecto “The Truth About Marika”, estava longe de imaginar que uns anos mais tarde estaria toda a indústria televisiva e cinematográfica, e até de bens de consumo, a lidar com o termo que fora baptizado em 2003 no MIT.
Resumidamente, por Transmedia podemos falar de uma história que é contada utilizando narrativas paralelas que no seu todo compõem uma só. Usando como exemplo a conhecida saga de “Star Wars”, o processo de Transmedia conduz e define desde o rumo das histórias e personagens dos filmes, até às das bandas-desenhadas, jogos de consolas, merchandising, etc., etc.
A Verdade Sobre Marika
Graças ao esforço da responsável pelos projectos de TV Interactiva na EBU (rede de operadores públicos europeus de televisão e rádio), Nicoletta Iacobacci, eu e uns quantos sortudos que até aí estavam fartos de fazer Tv, Rádio e Web de forma desintegrada pudemos, então, tomar contacto com alguns dos principais projectos nesta área, figuras de proa e até ir aprendendo directamente com os próprios.
A chance mais recente foi em 2010 com Jeff Gomez, que também em 2010 explicou como este processo de Transmedia havia já dado origem na Producer’s Guild of America à categoria técnica de nome próprio e como, para a própria Coca-Cola, havia sido a sua empresa, a Starlight, a dar eco ao sucesso da campanha “Hapiness Factory”, que havia nascido como qualquer outra, mas que entretanto fora desenvolvida para 5 anos toda a estratégia em torno do universo entretanto criado.
Jeff Gomez – Case-study Coca-Cola
Por cá, em 2009, tudo isto dava os primeiros frutos quando juntamente com a RTP2 pude desenvolver o projecto do “5 Para a Meia-Noite“. E desde então, de partida para uma 4.ª série, custa a crer como o tempo correu.
A verdade é que projectos pensados de forma multiplataforma, coerentemente e complementarmente, fogem em muito às regras estabelecidas de planeamento regulares. Obrigam a envolvência muito mais atenta de pessoas que tradicionalmente se encontram em fases distintas dos processos de produção (e por vezes nunca se chegam a conhecer, até) e obrigam ainda a dose reforçada de monitorização, realinhamento e acerto.
Nada é um produto verdadeiramente fechado e acabado. E os guiões servem apenas como a principal base. Nesse aspecto, o boom das redes sociais veio ajudar um pouco a que mais gente percebesse e se aliciasse pelo fim da ‘campanha’ previamente concebida, elaborada e fechada, e se dedicasse a trabalhar na relação (a curto, médio ou longo-prazo). Até mais do que isso, veio ajudar a quem sabia que os modelos estavam perto de esgotar-se e era preciso “fazer mais”, ou “fazer melhor e diferente”.
Como texto de arranque à minha participação neste cantinho da web, respondendo ao simpático convite do fundador e até vendo ainda não constar nada de Transmedia no arquivo, espero que o tema vos desperte, mais do que a curiosidade, a dedicação que a mim me tem feito perder umas quantas horas de sono. Apelo, portanto, a uns minutos mais do vosso tempo para a excepcional conferência TEDx, dedicada por inteiro ao tema e que tem todas as intervenções disponíveis aqui »


2011/01/10



(…)Nicholas Negroponte, fundador do 




